- Não há outro modo. Não aceita, portanto?
- Não, quer dizer, sim, isto é, sim, aceito.
Dito isto, Marcelino voltou para o mesmo lado da rua, exactamente o mesmo de onde tinha vindo.
No meio da estrada,
uma figura encarapuçada,
olhando para o céu
e sorrindo: era eu,
fingindo que era a morte
e que tinha comigo o poder de Deus.
Que fiz eu, perguntam-se?
Bem, por meras palavras, garanti que o potencial assassino de uma das pessoas mais influentes desta vila não irá embarcar naquele avião, nem o vai contar a ninguém.
(Pelo menos, até descobrir que é demasiado tarde.)
Em duas semanas morreram apenas duas pessoas.
Vi-me obrigado a vender um retrato antigo e dois livros autografados, primeira edição.
Não desesperei, a minha profissão torna-nos controlados.
Mas também nos retira uma certa réstia de moralidade, de consciência.
Talvez estivesse um pouco desesperado
para o ter feito como fiz.
Não é muito o meu género, sabem?
Segundo as minhas contas, o dia tinha, por fim, chegado.
Marcelino estaria, supostamente, no seu destino exótico.
O seu irmão mais velho estaria em casa e, às 15 horas e 30 minutos, sairia para o seu habitual passeio.
Já vos disse que não faz nada o meu estilo?
E, em relação às vossas perguntas, não perguntem.
Escondido debaixo das árvores, estava uma espécie de monstro (monstro da pior espécie).
Paulino Gravato só se apercebeu do carro quando estava quase a seu lado.
Tentou fugir, claro.
Claro.


No Response to "Preparativos principais"
Enviar um comentário