terça-feira, 15 de setembro de 2009

Da autora

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Odeio dormir porque o estado de espírito, a pré-disposição à escrita desaparecem.

Percebem?, é como fazerem um desenho bonito num vidro embaciado e ele desaparecer.

É bastante triste.

Como perder um texto que ficou por guardar.
Como perder uma ideia que ficou por apontar.
Como arrancarem uma folha do meu caderno, que não é "só uma folha",
é um futuro texto.
(É um roubo.)


Depois fica a assombrar-nos, aos cantos,
atormentando-nos a consciência de cada vez que nos lembramos
e questionamos "como seria se não tivesse sido assim?".

É um fantasma.

Se vocês são criativos,
percebem o que quero dizer.

E não precisam de comentar,
podem fazê-lo, se quiserem,
mas sei que, nisto, não estou sozinha.

Porém, como estou condenada às necessidades básicas do ser humano
(o que é perfeitamente injusto, já que não sou um)
vou ter de ir dormir. Parar o impulso, transformá-lo em matéria de sonho.

Gastá-lo em criatividade excessiva
mas o sonho não precisa, já é tão criativo!

Por favor, não mo roubem outra vez.

Adoro Carmen, de Bizet
e Flauta Mágica, de Mozart.

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Odeio isto: o blog não é um livro - os posts mais antigos aparecem em último, os mais recentes em primeiro.

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