sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Insinuação

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Na semana que se seguiu, não segui os avanços da polícia.
Era algo perfeitamente inútil para um resultado tão previsível.
Além disso, tinha populares em pequenos sussurros, as velhotas no vão da escada, as mulheres à entrada do cabeleireiro, os putos na escola, fingindo que sabem tudo, contando o que ouvem por casa, os berros dos bêbados na calçada, enfim, os modos de saber algo tão invulgar numa terraa como a minha são praticamente ilimitados. Só é preciso ficar à escuta.

E esperar.
E eu tinha toda a paciência do mundo.

Enquanto esperava o pomposo funeral, porém, mantinha-me inquieto.
Já não tão desesperado, claro.
Mas ainda queria garantir a minha sobrevivência.

As ideias começaram em sonhos,
depois balançavam-se, perante mim,
óbvias, perfeitas, lógicas.

Insinuando, atiçando-me para o
seu aconchego.

Desta vez iria correr tudo bem.
Sorri para as nuvens.

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