sábado, 12 de setembro de 2009

A vila do Coveiro antes do incidente

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Tudo bem, deste à pouco?
Não arranjaram por aí emprego para mim, entretanto, não?


Nunca é tarde relembrar:


O meu nome é António Fialho.
Sou coveiro de profissão.

Peço desculpa por insistir, mas talvez um dia compreendam e dêem graças por o fazer.
Isto é, se ainda se aguentarem por aí.

A minha vila era regular.
As mortes, sabem
Normalmente, morria uma por dia
Mais ou menos
Pode parecer triste, mas
Os dias eram mais alegres quando:

havia acidentes
ou
uma epidemia alastrava.
O serviço de urgência era bastante decifiente, o que também era agradável.

Pela autora

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Não, esta história não é acerca de quem sou ou do que faço ou como faço ou como acho.


Para isso, podem ir ao escritos dispersos, que são textos pela ordem por que escrevo.

Se querem críticas directas à sociedade em geral, têm as crónicas do lodaçal, que, de momento, estão estagnadas.

Se apreciam um pouco de loucura, podem exprimentar ler Edna Berry, apesar de não ter continuado - tenho de acabar, primeiro, a história do pai dela, Edgar Perry - esse sim, o meu louco pseudo-esquizofrénico preferido.


Este blog é para os crimes que os declarados inocentes cometem.
Surgem na minha imaginação.

E quis enunciá-los e à sua história.
Quis escrever história, conto, não só escritos dispersos.


Porém, tenho falado sobre tudo.
Não só sobre as personagens, mas também sobre o que eu penso ou o que faço ou como faço.
Não estava planeado, aconteceu, com a criação do blog.

Foi um impulso.

"Uma vontade incontrolada."

Não me julguem por continuar a ser fiel ao principal objectivo do blog.
Aliás, façam-no, estou-me nas tintas.

Sim, este é um blog de criminosos que criei.
Também os sinto neste impulso.

Este blog está a tornar-se inesperado para mim própria.


Sim, isto é uma salada do real e do imaginário, de mim e das minhas personagens.
Eu sei.
Não é adorável?

Começa O Coveiro a sua história

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Ainda se lembram de quem sou?

Olá.
O meu nome é António Fialho.
Sou coveiro de profissão.

Tínhamos combinado que vos iria contar a minha história?
Com certeza.

Estão prontos?
(Caso a resposta a esta afirmação seja negativa, pode fechar a janela ou esperar por outras personagens.)

A minha história começa num lugar muito longe deste onde estou, sim, muito longe.

Sim, eu sei.

Previsível, não é?


Vão manter-se por aí ou já desistiram de tédio?


Pela minha parte, continuo.

Lugar muito distante, certo? Foi na vila onde nasci e cresci.
A terra que me viu crescer. Onde aprendi a ler, a somar, a subtrair.

Ahahah

Aborrecido, não acham? Aposto que se estão a questionar por que não desistiram à pouco, quando o sugeri.

Não vos receio, porém. Repito.
Quero lá saber que vos lembre a história dos vossos avós.

E isto, lembra? Foi onde aprendi com o meu mestre a ser coveiro. Foi onde aperfeiçoei a minha arte até um ponto a que o meu mestre não chegara.
Desenvolvi todo o serviço funerário da região.

Não gostariam que vos contasse, agora, o modo como escolho o local, decido a profundidade, preparo o respeitoso defunto, encomendo o caixão, preparo os serviços, chamo o padre, estou atento, enfeito todos os festejos?

Cada passo meu?

Pois bem, se gostam, têm bom remédio:
sigam a minha profissão.


Mais interessante?
Acham mesmo?
Dêem graças por não me conhecerem.

No geral, as pessoas não me ligavam, excepto quando precisavam dos meus serviços.
Nunca me incomodou.
Porém, o desenvolvimento da minha arte

O que acham que vou dizer?
Que compreendia melhor os mortos que os vivos?
Que me dou melhor com os pedaços de carne em decomposição que com a frescura andante?

Ahahah!

Continuo, o desenvolvimento da minha arte fez-me reparar nas pessoas, todos os comportamentos, reacções. No início, só conseguia absorver o luto, mas, com o passar do tempo, cada emoção era clara, distinta.

Conseguia saber exactamente em que pensavam.

Já imaginaram?

Sim, estou a exagerar.
Não conseguia saber tudo.
Aliás, não conseguia saber mais que a maioria das pessoas.
No entanto, já é mais do que vocês esperavam, certo?

Aprendi a ver relações.
Quem trai quem, quem bate a quem.

Por vezes, via mais claramente que se fosse o individuo em questão.

E ouvia os sussurros.
Aqueles ditos que dizem mais que as palavras normalmente ditas.

Tal como os gritos.


Nunca me interessei por tais assuntos. Apenas os fixava. Do mesmo modo que fixava os olhos vidrados do morto.
Eram-me totalmente distantes.

Aqui está.
A apresentação da minha história. Estou só no início, claramente.

Estou curioso. Vão manter-se comigo?
Terei todo o gosto.

Outra nota (12-09-09)

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Questionem-se, à vontade, mas estou aqui para esclarecer:

Para quem não leu o livro A Rapariga que Roubava Livros, passo a explicar
na mesma história, existe uma dada ligação com a palavra "coveiro".

Penso que agora compreenderão a pergunta que não está colocada, mas à qual eu aqui respondo.

Não, a personagem "O Coveiro" não foi baseada nem influênciada nem um pouco pela história de Markus Zusak. Na verdade, é uma ideia que tive à cerca de dois anos, mas só mais recentemente começou a ter forma.

Li o livro citado em Agosto deste ano.

Coincidência curiosa, não vos parece?
Pois lembrei-me dela enquanto escrevia e não queria mal entendidos.

Já há algum tempo que dados autores me têm vindo a roubar ideias, por exemplo


NOTA CURIOSA ACERCA DA
AUTORA DESTE BLOG

Estive para escrever um livro acerca
de um serial killer que só matava
os maus. Chamava-se DEXTER, como
o personagem de uns desenhos
animados que via quando era mais nova.

Como já referi, não tenho problemas em continuar essas ideias, apesar de me terem sido "roubadas" e proclamadas aos ventos.
Só não quero mal entendidos por coisas tão mesquinhas - não têm mais com que se preocupar?

Nota (12-09-09)

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Enquanto relia, não pude deixar de notar

com muita pena minha, este estilo de escrita não é originalmente meu

iria lá chegar, com o tempo, mas, apesar de não ter problemas em escrever acerca de ideias que me "roubaram",

não seria capaz de roubar o mérito a quem me inspirou a escrever assim,

esta coisa de fazer parágrafos a mais:

o meu agradecimento a MARKUS ZUSAK, o autor do meu preferido A Rapariga Que Roubava Livros, no original The Book Thief.

Apresentando O Coveiro

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Ainda é muito cedo para dizer olá.

Porém, assim vos saúdo.

Olá.
O meu nome é António Fialho.
Sou coveiro de profissão.

Este é o meu cartão, ao vosso dispor.


Talvez alguém vos tenha dito para não se dar com pessoas como eu.
Oiçam o que vos digo - há pessoas com superstição excessiva.

Imaginem um mundo sem coveiros:
vamos virar os pensamentos de pernas para o ar
como se livrariam de todos os corpos?
deixa-los-iam apodrecer aos cantos?

já consideraram o cheiro que o mundo teria?

então, queima-los-iam?

vejo bem que nunca passaram uma noite a sentir o bafo de carne esurricada.


Deixem-me que lhes diga: o mundo sem coveiros não seria o mesmo. Nós somos os corajosos soldados que levam o defunto à sua última morada.

Saúdem-nos, em vez de nos repudiarem.

Felicitações, espero que aperciem a minha história.
Cuidem que pode chocar algumas mentes.
Os mais novos podem ter pesadelos.

Sejam pobres, não terão que me recear.

Juro-lhes, sou boa pessoa.


Simplesmente, esta profissão suga-nos certos valores e certos cuidados
e começa a tornar-se difícil de distinguir

um vivo

de um morto.

Esclarecimento de ÚLTIMA HORA para os mais confusos que ainda não existem

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Não seria suposto entrar com os episódios dos criminosos, perguntam?

Calma, cada coisa a seu tempo- este blog foi criado por um impulso, impulsionado por Under Pressure (Queen), e assim será até ao final dos tempos.

Não quero formalidades presentes em outros, que são o acumular dos meus textos de um modo aleatório.

Digam lá, sincera e honestamente, não preferem assim? ;)

Primeira introdução

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Quando escrevo, não quero saber se vai ser publicado

ou se as pessoas vão adorar
ou sequer chegar a ler,

se me preocupasse, nunca escreveria.


Escrevo para mim, em primeiro.
Escrevo por mim.

Escrevo porque preciso
(e preciso sempre).


Escrevo porque a escrever sou eu, real e efectivamente eu.


Não quero saber se já há ideias como as minhas, à venda ou em preparação.
Não quero saber das etiquetas que deitam no que escrevo.

Escrevo como respiro e, se não escrevesse, seria oca.


Seria um vazio de não significado para mim mesma.




Escrever histórias é só como imaginá-las.
É vê-las na mente e poder expressá-las por escrito e mais tarde reler e reviver.

Não me digam que são impossíveis
ou que não correspondem à realidade,

porque eu sou esquizofrénica por
natureza, daí
ter um grande afastamento da realidade.

Queixem-se do que faço, culpem-me pelo que sou - não quero saber.


Criar blogs é a resposta que dou ao aprisionado cá dentro, ao que falta sair quando escrevo.

É que, apesar de tudo, tenho esperança de que haja quem goste
disto que escrevo (porque eu não)
e a esses quero dizer apenas:
Boas vindas.
Boas leituras.
Bom dia.

Agradecimentos iniciais

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Agradecida à minha imaginação.

Agradecida à noite em que aprendi "como cometer um crime sem ser apanhada".

Agradecida à minha gata, Pantera.

Agradecida às figuras parentais.

Agradecida aos familiares.

Agradecida às profissões que lucram com a morte dos outros.

Agradecida a todos os que me mentem, dizendo que gostam do que escrevo.

Agradecida à professora Isabel, à professora Bárbara e à professora Filipa.

Agradecida a todos aqueles que permitem que construa este blog.

Agradecida a todos os que de alguma forma plantam sementes.

Agradecida a isso tudo, porém, preferia que nada disto tivesse de ser assim.
(Por outras palavras, quem me dera nunca ter nascido.)

Antes de começar

Odeio isto: o blog não é um livro - os posts mais antigos aparecem em último, os mais recentes em primeiro.

É como ler de trás para a frente!
Recomendo ir ao arquivo para ler por ordem.

(Se alguém souber se dá para pôr ao contrário, avise s.f.f.)