sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Por tribunais

0
Isto era o que sabia pelos murmúrios: o Marcelino tinha afirmado que, efectivamente, tinha apanhado um vôo, quando questionado "onde estava no dia 1 de Novembro, entre as 14 e as 16 horas?". Quando ainda não sabia que aquilo de que o acusariam era bem pior do que aquilo a que eu o sujeitara.

À pessoas que não pensam,
coitadas, às vezes é tão fácil
apanhá-las e deitá-las ao chão.

Ficou bastante mal visto, quando a polícia descobriu que ele não havia embarcado. Digamos que se tornou num golpe suspeito.
O carro era mais uma das provas, o sangue que alguém tentara limpar...

Adoro ser cuidadoso.

Adoro a facilidade com que se incrimina alguém.

Um dia soube, por entre rumores,
que o advogado da família era,
enfim, um amigo,

ou seja

alguém da terra

ou seja

alguém cujo funeral
seria encomendado à minha pessoa.

Podem imaginar o quão suspeito seria se esse indivíduo aparecesse morto?
Pobre Marcelino, estava mesmo em maus lençóis.

Porém, tinha uma vantagem de que os outros não gozavam:

Quando morrer,
não será enterrado na vila
do Coveiro.

Provavelmente, foi o que lhe salvou a vida.

No Response to "Por tribunais"

Enviar um comentário

Antes de começar

Odeio isto: o blog não é um livro - os posts mais antigos aparecem em último, os mais recentes em primeiro.

É como ler de trás para a frente!
Recomendo ir ao arquivo para ler por ordem.

(Se alguém souber se dá para pôr ao contrário, avise s.f.f.)