Isto era o que sabia pelos murmúrios: o Marcelino tinha afirmado que, efectivamente, tinha apanhado um vôo, quando questionado "onde estava no dia 1 de Novembro, entre as 14 e as 16 horas?". Quando ainda não sabia que aquilo de que o acusariam era bem pior do que aquilo a que eu o sujeitara.
À pessoas que não pensam,
coitadas, às vezes é tão fácil
apanhá-las e deitá-las ao chão.
Ficou bastante mal visto, quando a polícia descobriu que ele não havia embarcado. Digamos que se tornou num golpe suspeito.
O carro era mais uma das provas, o sangue que alguém tentara limpar...
Adoro ser cuidadoso.
Adoro a facilidade com que se incrimina alguém.
Um dia soube, por entre rumores,
que o advogado da família era,
enfim, um amigo,
ou seja
alguém da terra
ou seja
alguém cujo funeral
seria encomendado à minha pessoa.
Podem imaginar o quão suspeito seria se esse indivíduo aparecesse morto?
Pobre Marcelino, estava mesmo em maus lençóis.
Porém, tinha uma vantagem de que os outros não gozavam:
Quando morrer,
não será enterrado na vila
do Coveiro.
Provavelmente, foi o que lhe salvou a vida.


No Response to "Por tribunais"
Enviar um comentário