Ia viver de quê, agora que o meu negócio estava às portas do juízo final?
As pessoas não morriam com frequência suficiente
para que pudesse continuar a ter comida na mesa.
Poderia ir para outro lado, competir contra outros da mesma profissão.
Para quê, se a solução estava tão perto?
Claro que não pensei logo, logo. (Claro que pensei. No fundo, acho que sempre esteve dentro de mim, desde que enterrei o meu primeiro habitante.)
A ideia começou a surgir quando ouvi os rumores.
Primeiro, a esperança.
Mas o que é a esperança
que não estar à espera que tudo
corra como nós preferíamos?
Que é a esperança
que não ela própria
uma espécie de conformismo?
Desculpem, já me estou a adiantar.
Que diziam, então, os rumores?
As pessoas murmuravam pelos cantos, acerca de uma família, daquelas influentes, com casas e terras a perder de vista, aqui da vila, e acerca de um parente afastado,
enfim, coisas de novela.
Ao que parecia, ia haver zanga,
zaragata, poderiam haver mortos.
Era a minha esperança, os serviços fúnebres a ricos são sempre mais pomposos
e rentáveis.
Durate dias segui os passos daquele que tanto apoquentava os habitantes.
Bastava um em falso.
(A espera mata)
O passo em falso aconteceu
numa tarde nada chuvosa,
numa cabine de telefone.
A conversa era acerca de um voo,
num tal dia, tal hora, para tal local.
Queira-me desculpar,
meu senhor, mas
quer-me parecer que não irá a lado algum,
muito menos no tal voo dao tal dia, tal hora.


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