Porém, assim vos saúdo.
Olá.
O meu nome é António Fialho.
Sou coveiro de profissão.
Este é o meu cartão, ao vosso dispor.
Talvez alguém vos tenha dito para não se dar com pessoas como eu.
Oiçam o que vos digo - há pessoas com superstição excessiva.
Imaginem um mundo sem coveiros:
vamos virar os pensamentos de pernas para o ar
como se livrariam de todos os corpos?
deixa-los-iam apodrecer aos cantos?
já consideraram o cheiro que o mundo teria?
então, queima-los-iam?
vejo bem que nunca passaram uma noite a sentir o bafo de carne esurricada.
Deixem-me que lhes diga: o mundo sem coveiros não seria o mesmo. Nós somos os corajosos soldados que levam o defunto à sua última morada.
Saúdem-nos, em vez de nos repudiarem.
Felicitações, espero que aperciem a minha história.
Cuidem que pode chocar algumas mentes.
Os mais novos podem ter pesadelos.
Sejam pobres, não terão que me recear.
Juro-lhes, sou boa pessoa.
Simplesmente, esta profissão suga-nos certos valores e certos cuidados
e começa a tornar-se difícil de distinguir
um vivo
de um morto.


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