sábado, 12 de setembro de 2009

Apresentando O Coveiro

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Ainda é muito cedo para dizer olá.

Porém, assim vos saúdo.

Olá.
O meu nome é António Fialho.
Sou coveiro de profissão.

Este é o meu cartão, ao vosso dispor.


Talvez alguém vos tenha dito para não se dar com pessoas como eu.
Oiçam o que vos digo - há pessoas com superstição excessiva.

Imaginem um mundo sem coveiros:
vamos virar os pensamentos de pernas para o ar
como se livrariam de todos os corpos?
deixa-los-iam apodrecer aos cantos?

já consideraram o cheiro que o mundo teria?

então, queima-los-iam?

vejo bem que nunca passaram uma noite a sentir o bafo de carne esurricada.


Deixem-me que lhes diga: o mundo sem coveiros não seria o mesmo. Nós somos os corajosos soldados que levam o defunto à sua última morada.

Saúdem-nos, em vez de nos repudiarem.

Felicitações, espero que aperciem a minha história.
Cuidem que pode chocar algumas mentes.
Os mais novos podem ter pesadelos.

Sejam pobres, não terão que me recear.

Juro-lhes, sou boa pessoa.


Simplesmente, esta profissão suga-nos certos valores e certos cuidados
e começa a tornar-se difícil de distinguir

um vivo

de um morto.

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