terça-feira, 13 de outubro de 2009

Não fui eu *-*

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A tendência piorou.
Parecia uma corrida de que ninguém falava mas todos estavam cientes da sua existência e mais: todos queriam participar.

Era espantoso, estavam ávidos de serem livres e despreocupados como que crianças, esquecer as responsabilidades, as normas, guiarem-se por si mesmos à procura do correcto, moralmente correcto, tão distinto do que o que lhes haviam imposto.

Os telefonemas cessaram.
No princípio, dignavam-se a falar comigo, directamente, para pedir a realização do enterro.

Estive uma semana de febre, mas aquele novo ritmo continuou a depositar corpos às minhas portas, crimes que eu não cometera. corpos amontoados, já ninguém tinha a decência de os arranjar primeiro, a polícia já tinha esquecido, desistido.
O cheiro seria insuportável para quem não estivesse habituado - eu estava, vejam só, e, ainda assim, me incomodava, ligeiramente.
Porém, a fúria dos habitantes parecia crescer ainda mais, incitada por aquele forte fedor a morte e bichos, varejeiras e larvas, como se o primordial, o animalesco de cada um apagasse toda a réstia de racionalidade e de consciência.

Chegaram a passear-se nus.

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