terça-feira, 13 de outubro de 2009

Da necessidade material já nada resta

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Com o passar do tempo, começou a tornar-se num vício. Era de uma beleza extrema levar as almas ao outro mundo.
Ver o fechar dos olhos. «E agora estás... e agora já não.» Sentir o terror de quando os esfaqueava.

Só os deixava acordados,
a sentir, quando o mereciam.
Eu não sou um bicho
sem escrúpulos.

Deitava-me, sentindo-me realizado, passava o serviço fúnebre ansiando o anoitecer.
Deixei a indistinção entre um vivo e um morto. Sim, agora parecia-me tudo tão composto, todas as fases da última passagem...
Esfaqueá-los era o extremo de toda a actividade, era o êxtase, a carne sucumbindo perante a lâmina, o sangue, escorrendo, a calma, a magia, a adrenalina, finalmente, alguma emoção desde que enterro pessoas.

Era tão gratificante,
senti-me, por fim,
vingado dos homens
de bata branca, vingando
a própria morte.

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