domingo, 27 de setembro de 2009

Conhecendo Dexter

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Dexter é a encantadora história de alguém que, tal como eu, vive de braço dado com a morte. E, cereja em cima do bolo, Martim Gavina é fanático por ela.

Vocês sabem como são
as pessoas de vilas pequenas
que quase poderiam
ser consideradas aldeias.

Vocês sabem, tão, tão
implicativas com pequenas
coisas, tão preconceituosas,
tão pseudo-escandalizadas,
em êxtase com um
pequeno mexerico.

Vocês sabem, julgam que
sabem tudo, sobre todos,
julgando-os com o que
se diz por aí.

Qualquer um que saia da linha é estranho, é alguém em quem não se pode confiar.

Não é curioso
o modo como as pessoas
se enganam? É tão mais
fácil desconfiar do filho
do talhante, criado no seio
de facas e sangue e carne
cortada, fatiada, que do
simples e calado
coveiro, tão ligado
à igreja, tão perto
de Deus.

Virei a última página do último livro. Na verdade, senti uma dada empatia pelo filho do talhante. Era difícil não gostar de uma história assim. Talvez até mesmo as próprias senhoras cuscas se tornassem fanáticas, se lhe dessem uma oportunidade.
Felizmente para mim, isso não aconteceu.
Aquela oportunidade era minha.
Esta oportunidade é minha.
Fanatismo por um assassino em série aliado à desconfiança preconceituosa baseada em mexericos. Os ingredientes perfeitos.
Perfeitos para, mais uma vez, sair impune.
Perfeitos para a fingida racionalidade e civilização se desmoronarem.
Os ingredientes perfeitos na dosagem certa.
Só faltava eu.

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