segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Arquitectando os alicerces do plano perfeito

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Em sonhos, via-os, perfeitos, à minha frente. Os traços de um novo plano.
Tencionava fazer aquilo que sempre todos dizem que irá acontecer com as ideias que aparecem nestes livros. Iria tornar, meticulosamente, o fanatismo de Martim Gavina numa realidade. Durante algum tempo, não muito, apenas o suficiente para sobreviver outros dois meses, seria o Dexter que assombraria os cidadãos. Seria ligeiramente mais descuidado, os cadáveres teriam de ser encontrados, para que eu tivesse o que enterrar. De resto, havia de imitar todos os passos do meu novo serial killer preferido.

Agora que pensava nisso,
eu mesmo começava a poder
fazer parte daquela categoria.

Devolvi os livros à biblioteca municipal da povoação vizinha (não quis que me vissem com eles aqui, atrair as atenções está fora de questão) quando achei já estar pronto para prescindir deles. A verdade é que, entre ele e eu, existia um número incontável de semelhanças, ambos cuidadosos, necessitando do assassínio para a nossa sobrevivência, lidando com a morte diariamente no nosso local de emprego, dando pouco nas vistas, não foi nada difícil entrar na pele do herói do filho do talhante.
Precisava de um local.
Precisava de vítimas. Criminosos locais? Assalto aos registos da polícia.
Precisava de utensílios de cozinha. Estão a brincar? Essa era a mais fácil.
Precisava de rolos de fita cola. Rolos e rolos dela.

Era como planear
uma visita de estudo.
Senti, pela primeira vez,
em muitos anos, aquela
antecipação da véspera
de Natal. Senti-me tão
infantil.

Trabalhei neste caso quatro dias. Chegado o final, tinha três potenciais vítimas em mente.
Com pedaços de caixão fizera a caixa para as lâminas de sangue.

Perfeitamente adequado.

Uma gota de sangue repousaria entre dois rectângulos de vidro, representando a vida roubada ao seu anterior hospedeiro, ou antes, a morte gloriosa e artisticamente recebida. Seria uma oportunidade única para o primeiro contemplado com a minha feliz tentativa de imitação.

Tencionava ser
fiel ao original.
Tencionava fazê-lo
como deve ser.
Eu caso de dúvida,
seguiria os métodos
do personagem do livro,
ao invés do da série televisiva.

Estava pronto.
Estou pronto.
Amanhã, quando o Sol levantar, o novo dia há-de receber-me de braços abertos.
Amanhã, serei o acarinhado defensor, o querido assassíno.
Relaxem, serão apenas cinco vítimas.
Acho eu.
(Achava eu.)

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